14.04.2009
A casa é a vida
Para os partidos de oposição, o programa Minha Casa, Minha Vida tem caráter eleitoreiro. Objetiva oxigenar a candidatura da ministra Dilma Rousseff. De quebra, melhorar a imagem do presidente Lula, que sofreu queda com a crise financeira mundial.
Dos especialistas em políticas sociais, o projeto sofre críticas técnicas, pelos critérios adotados na sua formulação, e restrições de ordem geopolítica, ao excluir os municípios com menos de 100 mil habitantes.
Santa Catarina é um dos estados mais punidos com a sistemática adotada pelo governo federal. Mantidas as regras, não chega a 20 o número de municípios que estariam enquadrados no plano habitacional. Além disso, sua cota é de apenas 24 mil casas, para um déficit atual de 200 mil unidades.
A Caixa Econômica Federal - mostrando, outra vez, agilidade e competência em Santa Catarina - estará disponibilizando, a partir de hoje, o programa inovador. Assina convênio às 10h com o governo, na presença de prefeitos de várias regiões.
A Companhia de Habitação de Santa Catarina vai tentar furar o bloqueio. Sua presidente, Maria Darci Mota Beck, antecipou-se à implementação da nova linha de financiamento. Enviou ofício a todos os prefeitos para saber quais se dispõem a elaborar projetos para levar a Brasília.
A resposta foi animadora. Até agora, 154 prefeitos enviaram informações e se habilitaram ao novo plano habitacional. Pelos dados, serão necessárias 41 mil novas casas no Estado. A maioria tem áreas disponíveis para iniciar logo as construções. Mas há casos, também, em que particulares se oferecem, para projetos familiares ou coletivos.
Alternativas
A presidente da Cohab esteve com a ministra Dilma Rousseff, mostrando a situação catarinense e pleiteando novos recursos para reduzir o atual déficit. Santa Catarina tem uma realidade diferente dos estados do Nordeste, todos eles com áreas metropolitanas de superpopulação e graves problemas de sub-habitação. É este o público a que se destina o "Minha Casa, Minha Vida", atingindo famílias pobres da periferia das cidades, milhares delas beneficiárias do Bolsa Família, e outro contingente, um potencial eleitoral que o Planalto deseja conquistar.
A ministra da Casa Civil não inibiu as ações da Cohab. Ao contrário, sinalizou até que pode ser parceira das pretensões do Estado, que tem duas propostas à Caixa Econômica: 1. Financiamento de conjuntos habitacionais com casas ou apartamentos; 2. Projetos familiares para agilizar quem já possui o terreno. Casas rurais são pleiteadas. Evitariam o êxodo.
A atual direção da Cohab informa, em seu balanço, ter construído até agora 12 mil casas, das quais 4,5 mil na zona rural. Isto, segundo Maria Darci, refletiu-se no quadro social catarinense, que não registrou o surgimento de nenhuma nova favela nos últimos anos. Pode estar havendo crescimento das já existentes.
Além do programa a ser lançado hoje, a Cohab recuperou a condição de agente financeiro, cancelada desde 1986. Está operando outra vez no Estado.
A casa representa, depois da vida com saúde, uma das principais aspirações do ser humano. A casa dá cidadania, com o endereço.
Dá unidade à família, permite vida social mais digna. É na casa que as pessoas guardam suas mais gratas recordações, preservam seus bens materiais mais preciosos, como fotos, livros, discos.
Proclama bem o lema do projeto. Quem tem casa, tem a vida. A sua, a da família e da comunidade.
Fonte: Diário Catarinense